A BELEZA

Ao longo da carreira de engenheiro projetista continuamente sou desafiado pela necessidade de conseguir a funcionalidade, a segurança, o equilíbrio, a harmonia, a beleza e a economia nas obras projetadas. Assim, desde 1970 sou direcionado para esses objetivos ao projetar uma ponte, uma passarela, uma residência, um quiosque, um galpão, uma loja, uma igreja, uma coluna, uma viga, uma escada. E o belo vem acompanhado de elogios pois a beleza salta aos olhos. Faz parte da formação do calculista mergulhar na natureza buscando as formas mais adequadas. Ao mesmo tempo, imergir na matemática à caça das teorias que permitam calcular as estruturas com segurança, simulando as cargas suportadas, sejam do vento, dos terremotos, das composições ferroviárias, das multidões ou dos equipamentos. E a história se repete: quando o trabalho resulta elegante, harmonioso, bonito, a aprovação é generalizada e imediata porque a beleza arrebata o olhar trazendo o encantamento.

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A Preguiça

O trabalho é uma estupidez.
– Não vim ao mundo a trabalho, vim a passeio – dizia Jorginho Guinle, famoso play-boy carioca, que havia herdado o Copacabana Palace. Vendeu sua parte no hotel, estimou seu tempo de vida e planejou gastar tudo ao longo de regalada existência. Mas demorou morrer, chegando a passar necessidades no fim.

Jorge Guinle,(1916- 2004) herdeiro milionário pertencente a uma família tradicional da elite financeira carioca. Orgulhava-se de ter gasto uma fortuna equivalente a cem milhões de reais que lhe foi deixada de herança. “Vivi o que quis, quando eu quis”1.

– A maior hipocrisia é aposentado procurar serviço dizendo que não consegue ficar parado – diz meu amigo Mauro Queiroz, que se orgulha de não mais trabalhar.
– Como se acostumou à inatividade? – questionei…

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Herança Africana

Vó Beralda se levanta tarde com a lentidão própria dos muito idosos. Calada, arrasta os pés até o banheiro para a higiene matinal. Toma seu café e se dirige à roca centenária. À mão, a lã cardada com esmero vai sendo enrolada formando um fio para um grande novelo. Vó trabalha em silêncio. Ás vezes murmura dezenas de palavras que não entendemos. Discorda, retruca, para, olha fixamente e repreende Deus sabe a quem. Vó caduca, mas trabalha. Na sala imensa, um tear antigo é usado pelas tecedeiras que fazem cobertas lindíssimas, com desenhos geométricos de cores vivas.

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A arte na minha formação

Ao longo da vida, por três vezes a arte arrombou-me as portas da mente reconfigurando-me os valores, com sua orientação divina e milenar.

Foi assim.

Ainda jovem, descobri Carlos Drummond de Andrade1. Eu era menos compreensivo e menos tolerante. Dificilmente aceitava os erros humanos. E esta maneira de ser me trazia enorme angústia, pois o homem mais erra do que acerta.

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Da Escravidão ao Bolsa-Família

A ESCRAVIDÃO.
Comecemos com uma pergunta:
-Por que a nossa população carente é tão numerosa? São mais de 40 milhões de pessoas, em um universo de cento e noventa.
A explicação pode ser encontrada na escravidão que habitou entre nós. Inacreditavelmente, a maior escravidão jamais vista em qualquer país1: pelo número de escravos, pelo seu tempo de duração e por sua representatividade na economia colonial brasileira. Nenhum país do mundo teve mais de 90% de sua produção em mãos cativas por mais de três séculos seguidos. Nem o Império Romano.

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Cara de Macaco

Apreciando detidamente nosso dinheiro podemos observar a imensa tecnologia empregada para confeccionar as cédulas: papel especial, impressão maravilhosa, marca-d’água, tarja de metal, desenho lindíssimo. A Casa da Moeda do Brasil utiliza a melhor tecnologia para que nossa moeda seja bem aceita, valorizada e respeitada. E este esmero é corretíssimo! Há que se dificultar a falsificação. Há que se ter orgulho e respeito por este bem que é o maior e o mais importante símbolo da nação. Um ente virtual delicadíssimo, que se deteriora facilmente com a inflação.
Nicolau Copérnico foi também um grande estudioso do dinheiro e escreveu em 1530: “por inúmeras que sejam as desgraças que habitualmente levam à decadência os reinados, principados e repúblicas, as quatro principais são, na minha opinião: as lutas, as pestes, a terra estéril e a deterioração do dinheiro.

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O Sonho do Patriarca

Normalmente, quando falamos de política, muita gente tem asco, náuseas e rejeição! Nossos representantes, se é que nos representam, tanto denegriram a função pública, tanto roubaram, tanto abusaram da paciência do povo, tanto praticaram a rapinagem, que, hoje, dificilmente alguém se interessa por este tema. Mas, já tivemos grandes homens públicos. Vou destacar um: José Bonifácio de Andrada e Silva (1763-1838)1, Chefe do Conselho de Ministros de Dom Pedro I, Grão-Mestre maçônico e ex-tutor do herdeiro do trono, Dom Pedro II. Ele, sim, fez a Independência do Brasil! Foi ministro por escassos 18 meses: de janeiro de 1822 a julho de 1823.2 Entretanto, “nenhum homem público fez tanto em tão pouco tempo”, diz Laurentino Gomes. Teve trajetória curiosa. Saiu do Brasil aos 20 anos para estudar em Coimbra. Formou-se em direito, filosofia e matemática. “Aluno brilhante, ganhou bolsa para estudar química e mineralogia em outros países. Esteve na Alemanha, na Bélgica, na Itália, na Áustria, na Hungria, na Suécia e na Dinamarca. Em 1790 e 1791, em Paris, testemunhou a Revolução Francesa”, afirma Laurentino Gomes. Tornou-se um cientista renomado. Como mineralogista, descobriu, deu nome e descreveu 12 “novos” minerais. Foi alto funcionário da Coroa Portuguesa. Enquanto Dom João se refugiava na colônia brasileira, ele lutava contra as tropas napoleônicas em território luso. Sabia manejar a espada. Só retornou à pátria depois de “pendurar as chuteiras”, aos 56 anos, para ser agricultor em Santos, sua terra natal. Mas, curiosamente, estava apenas iniciando a fase mais produtiva e importante de sua vida.

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Da Escrita à Internet

A ESCRITA

Vivi no Iraque entre 1982 e 1986. Adorava ir ao museu de Bagdá. Lá, ficava analisando o progresso do homem. Os primeiros artefatos em sílex: facas, pontas de lanças e de flechas fabricadas há cem mil anos; as primeiras joias, de ouro e lápis-lazúli, manufaturadas há 200 séculos; fotos e maquetes das primeiras cidades, construídas há 14 mil anos; uma enorme quantidade de joias de cobre, ouro e pedras preciosas usadas há dez milênios; elmos lindíssimos, adagas, pulseiras, colares, brincos, cintos… e a primeira escrita suméria, que engatinhava há cinquenta séculos. Sobre tijolinhos de argila, a escrita cuneiforme dava os primeiros passos. Encantado, percorria aqueles salões perguntando, investigando, tentando memorizar aquilo que mais me tocasse.

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Meus Valores

Alguns valores nos são ensinados pelos pais, pelos mestres e por algumas pessoas que nos encantam. São, mais ou menos, óbvios. Outros são conquistas sofridas, proporcionadas por difíceis obstáculos que a existência nos impõe. E há os submersos, camuflados, escondidos, dos quais não temos consciência.

A minha maneira de ser valoriza a fé, a paciência, a compaixão, a humildade, a persistência, a cultura, a coragem, o trabalho, o otimismo e a felicidade.

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Da política e dos políticos brasileiros

“..porque furtam, furtaram, furtavam, furtariam e haveriam de furtar se mais houvesse…”

Há um crescente movimento de indignação no seio da sociedade brasileira devido ao comportamento antiético de nossos políticos. Regiamente pagos, ocupam-se principalmente de seus interesses, assaltando os cofres do Estado e praticando descaradamente o nepotismo. Seriam nossos homens públicos retrato fiel do povo brasileiro? Seria nossa gente, assim, tão desonesta? Nas linhas abaixo escrevo sobre o assunto, sem preocupação científica, como observador atento da trajetória de nossa sociedade. Continuar lendo

Bovinocultura de Corte

Fatores a serem considerados para escolha de uma raça

1-Objetivo

O objetivo deste é ajudar aqueles criadores que estão à procura de uma outra raça para implementar seu criatório. Que fatores devem ser considerados para a escolha de uma raça? Nas linhas abaixo procuramos dar uma luz para que cada um possa responder adequadamente à questão. Continuar lendo

CRENÇA – Aprendendo a ser feliz

CRENÇA

Aprendendo a ser feliz.

Muitos me perguntam se tenho alguma crença. Sim, tenho, mas não sou adepto da fé cristã, na qual fui educado.

O catolicismo foi imposto aos brasileiros do início da colonização, 1532, à proclamação da República, 1889. Todos eram obrigados à fé católica[i] e os fiéis tinham que freqüentar as igrejas sob pena de prisão e multas pecuniárias.

Veja este texto de Dimas Perrin, citado em Mãe África:

“Durante o jugo português, em Minas, a polícia estava em todas. Servia até para punir aqueles que não cumprissem bem os seus deveres religiosos, como se depreende do seguinte edital, publicado já no fim do século XVIII, pela Câmara de São José[ii]: Fazemos saber a todos os moradores desta Villa que no dia quinta feira que se ade contar 3 deste corrente mez se ade festejar ou fazer função de Corpo de Deos como sempre he costume com procissão pellas ruas e para milhor ornato da mesma terão todas as ruas aseadas com as suas portas e janelas ornadas com aquelle aseo e adorno que lhes são permitidos com a pena de que aquelle que assim não o fizer será prezo oito dias na cadeia e pagará duas oitavas de ouro de condenação para as despezas do Conselho, etc. Passado em 1 de junho de 1799”

-Por que esta obrigatoriedade, nas colônias portuguesas e espanholas?

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O Ouro, o Negro e a Mineiridade.

Minas Gerais foi “descoberto” por volta de 1700: Sabará, em 1688, por Borba Gato, egresso da Bandeira das Esmeraldas; Ouro Preto, em 1696, por Antonio Dias; Pitangui, em 1694, por Antonio Rodrigues Velho, o Velho da Taipa.

Antonio Rodrigues Velho, irmão de Domingos Jorge Velho que destruiu o quilombo de Palmares; casado com Margarida, neta de Fernão Dias e avô de Inácio de Oliveira Campos, marido de Dona Joaquina do Pompeu[1]; dele descendem grandes mineiros: Martinho Campos, Olegário Maciel, Milton Campos, Benedito Valadares, Gustavo Capanema, Francisco Campos, Afonso Arinos e outros.

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“Você sabe com quem está falando?”

Em nosso meio, ainda é comum encontrarmos esta frase nos lábios de pessoas que se julgam poderosas. O Fulano estaciona o carro em local proibido, vem o guarda de trânsito e solicita a retirada do veículo. O cidadão persiste e o oficial diz que é contra a lei.

-“Você sabe com quem está falando?”

Ou seja, o infrator considera um insulto à Sua Excelência o fato de também ter que obedecer a lei.

É o preconceito social, enraizado no Brasil, herança portuguesa potencializada pelo regime escravocrata ao qual estivemos submetidos durante 3 séculos.

Vejamos.

O Brasil foi descoberto em 1500. A colonização teve início em 1532 e o primeiro navio negreiro chegou a Recife em 1548. A abolição se deu em 1888. São mais de três séculos de escravidão. Como o País é muito grande e o trabalho braçal era inteiramente realizado por cativos, podemos considerar que fomos líderes mundiais em servidão humana. A frase é dura mas é real. Cem por cento de nossa produção era realizado por trabalho escravo. O colonizador não executava trabalhos manuais. Ao bom português, era indigno trabalhar com as mãos.

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Impunidade: entre o perdão e a espada

Acredito que, nos dias atuais, todos os brasileiros estejam revoltados com o fenômeno da impunidade que assola o País. A nossa Justiça, quando age, o faz tão lentamente, e as penas são tão leves, que parecem ser de caráter simbólico. Vemos seqüências de crimes hediondos não serem punidos. Assassinos confessos soltos à luz do dia após serem libertados sem julgamento. Os argumentos contidos na lei são usados para proteger os maus, enquanto os bons são enjaulados em casa, atemorizados pela barbárie do império da violência.

-De quem a culpa? Da justiça? Da polícia? Das nossas leis muito benevolentes? Dos políticos?

Não temos sido capazes de aprender com outros povos. Quando voltamos o olhar para outros países, enxergamos apenas a Europa e a América do Norte. Não somos capazes de olhar o Oriente Médio, a África e a Ásia. Não temos humildade para considerar essas culturas como fonte de ensinamento. Consideramo-las inferiores. Assim, procuramos copiar americanos e europeus, ou criticá-los por sua impiedade para com os delinqüentes. Desta forma, nem temos copiado nem criado soluções eficientes para a impunidade que nos assola.

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Os Juros

Os juros são anteriores à moeda. A mercadoria emprestada era paga com juros. Encontramos referência sobre a matéria no Código de Hamurabi, 1792-1750 a.C., sexto rei da primeira dinastia babilônica  . Este código de leis estabelece um valor fixo para os juros em 1/6 por ano, ou seja 16,67 % anuais, a ser pago na mercadoria emprestada, ou em outra, se o devedor não tiver como liquidar o débito na mercadoria originalmente transacionada.

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Recomendações de Viagem

Estas recomendações são fruto de enorme experiência de quem foi roubado em  Paris, preso na Venezuela e atropelado por bicicleta em Pequim; já perdeu o passaporte no Iraque, teve bagagem extraviada em Camarões, ficou sem dinheiro em Londres,  Milão, Roma e Bangui (República Centroafricana); sofreu discriminação em Veneza;  teve conexão cancelada em Abjã (Costa do Marfim) e em Miami, em difícil situação; e se aventurou por uma estradinha lamacenta e sem recursos, por uma noite inteira trancado na escuridão do baú de um caminhão de biscoitos juntamente com 3 desconhecidos, perdido na floresta Amazônica do Equador; vivenciou centenas de imprevistos ao longo de 25 anos de viagens internacionais a 35 países diferentes.

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A moeda, o banco, o capitalismo e o socialismo

O dinheiro não é tudo na vida: tudo é a falta dele.

Adágio popular.

Antes, todo o comércio era feito na base da troca. Já imaginou a dificuldade? “Pagamentos, empréstimos e juros eram, a princípio, feitos em produtos, especialmente gado e grãos”.  O ouro e a prata foram muito usados como mercadoria de troca devido à sua larga aceitação, facilidade de guarda, de transporte e de conservação, não se deteriorando com o tempo.
O boi foi muito usado como moeda. “As primeiras moedas romanas tinham em uma das faces a efígie de um boi . A palavra pecus, em latim, significa gado, daí a palavra portuguesa pecuária; pecunia significa dinheiro, dando origem à palavra portuguesa pecúnia, com o mesmo significado. E capital vem do latim, caput, que significa cabeça, numa clara referência a cabeças de boi, no sentido de quantidade de animais (Fulano  possui tantas cabeças de boi).

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A Inflação

A moeda possui três finalidades:

-serve como instrumento de troca, pois é universalmente aceita como um bem precioso;

-serve como padrão de referência, dando valor às mercadorias;

-e é usada como reserva de valor, pois pode ser economizada e guardada para necessidades futuras.

A inflação é um fenômeno econômico que faz com que a moeda se deteriore com o tempo, deixando de servir como padrão de referência e não podendo ser guardada como reserva.

O cruzeiro sobreviveu por longo tempo devido ao mecanismo chamado correção monetária, criado em 1964 pelo Governo brasileiro para proteger a moeda. Devido à correção monetária podia-se ir ao banco e abrir uma poupança em cruzeiros, pois esta poupança era corrigida regularmente, para que a sua deterioração fosse recomposta.[1] Se tal não tivesse sido possível, o cruzeiro teria tido uma vida muito mais curta, pois teria sido recusado pelo povo, porque teria perdido as três finalidades referidas acima.

-Por que existe a inflação?

Temos aqui duas citações muito interessantes.

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